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  09.09.15

Theatro Municipal: 104 anos


IPT contribuiu em diversos momentos com tecnologia para preservação da centenária casa de espetáculos de São Paulo


Marco de uma capital que sonhava se igualar aos padrões europeus, o Theatro Municipal de São Paulo foi inaugurado em 12 de setembro de 1911 para receber espetáculos de teatro e música, sobretudo as grandes óperas que se apresentavam nos principais palcos do mundo. Com projeto dos italianos residentes no Brasil Cláudio Rossi e Domiziano Rossi, o teatro foi construído por escritório comandado pelo engenheiro e arquiteto brasileiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que assinou diversas obras icônicas no centro da cidade.

Theatro Municipal de São Paulo completa 104 anos no sábado, 12 de setembro. Crédito foto: Jose Cordeiro/SPTuris
 
A casa, que levou oito anos para ser construída e consumiu 4,5 milhões de tijolos e 750 toneladas de ferro, contou com intensa dedicação de Ramos de Azevedo, que montou um gabinete no canteiro de obras de onde despachava diariamente. Tanto empenho resultou em uma edificação à altura para receber artistas como Enrico Caruso, Maria Callas, Bidu Sayão, Villa-Lobos, Ana Pawlova, Baryshnikov e Ella Fitzgerald, esta última grande nome do jazz americano, comprovando o caráter eclético do palco, que também acolheu um dos grandes eventos da história da arte no país: a Semana de 22.

O esforço por manter a qualidade e adequação das instalações edificadas por Ramos de Azevedo foi compromisso das sucessivas gestões do teatro. Além das três grandes reformas que o espaço sofreu, em 1954, 1986 e a última para celebrar seu centenário, em 2011, foram muitos os trabalhos para preservar cada detalhe da obra. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) esteve envolvido em diversos deles, colocando sua competência, sobretudo nas áreas de patologia de materiais e de pesquisa em madeiras, a serviço do teatro símbolo de São Paulo.

A tecnologia oferecida pelo IPT foi importante para, ao longo dos anos e dentre outras finalidades, permitir a erradicação de cupins que infestavam as madeiras do edifício; realizar a identificação das madeiras empregadas nas diversas estruturas do teatro e, assim, orientar seu tratamento; e inventariar as principais manifestações patológicas das rochas que constituem as fachadas do teatro, com o intuito de encaminhar futuras intervenções de restauro. Outro trabalho do IPT que se prestou à preservação do teatro foi o de quantificação de superfícies revestidas de ouro de objetos e detalhes da área interna do espaço.

Confira abaixo detalhes técnicos de algumas das ações do IPT no Theatro Municipal de São Paulo:

1981/1982 - Uma inspeção para verificação de possível infestação por cupins e brocas em componentes de madeira foi realizada no teatro pela antiga Divisão de Madeiras do IPT, e constatou-se a infestação por cupins de madeira seca e cupins subterrâneos em pontos esparsos do edifício, com a indicação de sugestões para erradicação e controle, como tratamento químico das madeiras, tratamento químico do solo e alterações na estocagem dos materiais.

1984 – Uma avaliação da deterioração das rochas e argamassas das fachadas externas do teatro foi feita pelo IPT a pedido da Prefeitura Municipal de São Paulo. A execução dos trabalhos contou com avaliação do estado de deterioração dos materiais componentes das fachadas e coleta de amostras no teatro e na Fazenda Ipanema, em Sorocaba, onde estava localizada a jazida que originou o arenito usado no edifício. O inventário trazia descrição, localização e verificação do estado de deterioração dos materiais. Testes físicos e químicos foram feitos e um relatório foi elaborado com recomendações técnicas para limpeza, recuperação e manutenção dos materiais, em um projeto de parceria das antigas Divisões de Minas e Geologia Aplicada e de Engenharia Civil.

Quantificação de superfícies revestidas de ouro de objetos e detalhes da área interna do teatro foi realizada pelo Laboratório de Fotogrametria e Processamento de Imagens da Seção de Apoio Técnico da antiga Divisão de Geologia do IPT em 1995. Crédito foto: Jose Cordeiro/SPTuris
 

1995 - A quantificação de superfícies revestidas de ouro de objetos e detalhes da área interna do teatro foi realizada pelo Laboratório de Fotogrametria e Processamento de Imagens da Seção de Apoio Técnico da antiga Divisão de Geologia do IPT. A equipe realizou um imageamento com câmara de vídeo VHS, sua posterior captura em um microcomputador 486, o tratamento das imagens e a vetorização do contorno das áreas de interesse, assim como seu cálculo. O vídeo foi analisado nas instalações do IPT, que selecionou as imagens de interesse de acordo com as condições de escala e enquadramento para geração dos arquivos digitais. Os arquivos foram processados em software para tratamento das imagens, para depois serem importados para um software de CAD. Para a mensuração das áreas, foi utilizado o processamento automático do software de CAD sobre polígonos.

2006 - O antigo Laboratório de Madeira e Produtos Derivados do IPT recebeu solicitação para realizar a identificação botânica das madeiras empregadas nas esquadrias internas e externas, estruturas das coberturas, assoalhos e passarelas do teatro.
Antigo Laboratório de Madeira e Produtos Derivados do IPT realizou a identificação botânica das madeiras empregadas nas esquadrias internas e externas, estruturas das coberturas, assoalhos e passarelas do teatro. Crédito foto: Jose Cordeiro/SPTuris
 
As etapas do trabalho incluíram a confecção das lâminas histológicas; a identificação botânica das madeiras; e a consulta aos bancos de dados do IPT para coleta de informações das madeiras identificadas. As informações técnicas sobre as onze espécies de madeiras encontradas foram apresentadas em fichas individuais, com informações como nomes científico e comercial, características gerais, durabilidade e tratabilidade, características de processamento, secagem, usos e propriedades físicas e mecânicas.

2006 - O Laboratório de Materiais de Construção Civil elaborou um relatório das principais manifestações patológicas das rochas que constituem as fachadas do teatro, como o Arenito Ipanema. Os granitos estavam bem preservados e as deteriorações observadas no arenito mostraram ser resultantes da interação entre as características intrínsecas da rocha, em especial sua composição mineralógica, com agentes intempéricos (sol, chuva, ventos), poluentes atmosféricos, sujidade, plano de manutenção ineficiente e ações antrópicas. A coleta de informações serviu como base para orientar futuras intervenções de restauro.