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  14.09.15

Medio de consumo de gua


Pesquisadores do IPT desenvolvem software que visa aumentar confiabilidade de medições de hidrômetros


Milhões de equipamentos para medição do consumo de água estão, atualmente, instalados em imóveis e estabelecimentos no Brasil. Mas como se certificar de que esses equipamentos, os hidrômetros, apresentarão dados confiáveis a respeito da quantidade de recursos consumidos pelos usuários de serviços da rede de água? Para responder a essa pergunta, pesquisadores do Laboratório de Fluidodinâmica e Eficiência Energética do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveram uma ferramenta computacional que, por meio de cálculos estatísticos, é capaz de oferecer parâmetros para a acreditação de bancadas de calibração de hidrômetros no País.

Medições de consumo de água por hidrômetros serão mais confiáveis com uso de software
 
Nilson Massami Taira, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, explicou que a iniciativa partiu de uma demanda de fabricantes e fornecedores de hidrômetros, além de empresas de saneamento, que buscavam uma forma de agregar confiabilidade às medições dos equipamentos. Diante disso, programas interlaboratoriais foram criados, a fim de que os resultados de testes e ensaios realizados com hidrômetros em diferentes laboratórios fossem comparados e validados dentro de um padrão.

A função do software desenvolvido no IPT consiste justamente na definição desse padrão e de sua incerteza, estabelecidos com base na média ponderada e cálculos estatísticos processados a partir dos resultados oferecidos por cada laboratório. A ferramenta se fez necessária diante da inexistência de um modelo que pudesse servir como referência aos demais e das inconsistências encontradas durante os processos de comparação, que estavam dificultando a acreditação dos laboratórios nacionais.

Segundo Taira, o modelo foi baseado em uma metodologia computacionalmente complexa (Monte Carlo e boostrapping) já empregada fora do País, mas cuja utilização precisava se tornar acessível no Brasil. Para tanto, a solução foi implementada tendo como plataforma outro software já amplamente utilizado: o Excel. Justamente por essa versatilidade, a tecnologia pode ser aplicada em outras áreas que demandem a metrologia de fluidos, como a de petróleo e gás. “A modelagem matemática é pesada. O que nós fizemos foi transformar o modelo em um software que fosse de fácil acesso para todos. Criamos um recurso na forma de suplemento (add-ins) de funções, dentro do ambiente Excel, a partir do qual nosso modelo computacional pudesse ser utilizado”, explica o pesquisador.

A pesquisadora Olga Satomi Yoshida e o estagiário Augusto Carillo Ferrari, também integrantes do projeto, ressaltam que a aplicação conjunta dos softwares traz diversas vantagens. Além da disseminação do uso, os laboratórios e comissões de programas interlaboratoriais têm a liberdade de apenas declarar os dados, em forma de tabela ou gráfico, sem que tenham que realizar os cálculos. Além disso, o pacote de funções disponibilizado pelo IPT é um instrumento facilitador de comunicação, já que o processamento de dados é realizado sem o suporte do Instituto, tornando o sistema dinâmico e independente.

Empresas e instituições de diversos estados já se beneficiaram da ferramenta criada pelo IPT, a exemplo da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), além do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), organismo brasileiro de referência na área de medições. O software está sendo aplicado desde 2013 em diversos programas interlaboratoriais, e todo ano conta com uma nova versão. “Pretendemos desenvolver mais funcionalidades e recursos para o software, a ideia é aperfeiçoá-lo. É uma contribuição do IPT para a área de serviços tecnológicos em metrologia de fluidos”, finaliza Taira.