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  05.10.15

Percepo sobre C&T


Levantamento do Ministério da CT&I mostra que brasileiro apoia maior investimento público em pesquisa


Um estudo realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, revela que os brasileiros são favoráveis a um maior aporte do governo na área. A pesquisa ‘Percepção Pública da Ciência e Tecnologia (C&T) no Brasil’ entrevistou 1.962 homens e mulheres com mais de 16 anos de idade de todas as regiões do País, amostra representativa da população brasileira segundo os realizadores, com o objetivo de compreender comportamentos, hábitos e atitudes em relação à C&T.

De acordo com os promotores da pesquisa, conhecer a percepção da população é importante na formulação de políticas públicas para C&T e no aperfeiçoamento das formas de popularização da ciência, além de permitir compreender os motivos que levam os jovens a escolher a carreira científica. Composta de 105 perguntas, a enquete está em sua quarta edição e teve os dados coletados entre dezembro de 2014 e março de 2015. O primeiro levantamento do gênero no País foi realizado em 1987, pelos institutos Mast, CNPq e Gallup. Nos anos de 2006 e 2010 o então Ministério da Ciência e Tecnologia promoveu novas edições da pesquisa.

Os resultados de 2015 revelaram uma atitude positiva e otimista do brasileiro em relação à C&T: 61% das pessoas são interessadas pelo tema, enquanto 85% acreditam que a pesquisa científica oferece algum tipo de benefício à humanidade, trazendo resultados aplicáveis a suas vidas e solucionando problemas. Essa visão confiante se estende ao cientista, que é visto por grande parte dos entrevistados como agente de transformação, sendo que mais de 60% pensa que sua motivação está ligada ao avanço do conhecimento e à contribuição para a melhoria da sociedade.

Gráfico divulgado pela CGEE: maioria defende investimento em C&T
 
Esses dados positivos na interação com a área de pesquisa podem justificar outro número importante na visão do IPT: 78,1% da população defende a ampliação dos investimentos públicos em C&T. De acordo com Fernando Landgraf, diretor-presidente do Instituto, a revelação é muito bem-vinda. “Para uma instituição de ciência e tecnologia, é gratificante saber que a população reconhece a importância da pesquisa para a sociedade e que apoia um maior investimento na área. O Brasil avançou muito nos últimos anos, mas ainda está mal posicionado no ranking da inovação, a exemplo do Global Innovation Index, que coloca o país na 75ª posição entre 140 nações. Sabemos que o caminho para reverter a situação passa, necessariamente, pela popularização do saber científico e tecnológico, pois uma sociedade consciente do papel da C&T para os seus avanços vai demandar mais efetividade de governos e instituições nesta área, gerando um ciclo virtuoso pelo conhecimento”.

A população também percebe que o Brasil ainda precisa progredir quando o tema é inovação: 43,5% acreditam que a situação do país no campo da C&T é intermediária, enquanto 41,7% pensam que é de atraso. Apenas 11,2% julga que o Brasil está avançado. Quando questionados sobre os motivos pelos quais não há um maior desenvolvimento, 36,1% creditam a responsabilidade sobretudo ao fato dos recursos serem insuficientes. As demais respostas estão diluídas: 10,7% pensam que há um nível educacional baixo e 7,3% que há ausência de cultura de inovação, por exemplo. Entre as motivações que determinam os avanços da ciência no mundo, em primeiro lugar aparecem os desafios da própria ciência (43,8%), mas na sequência surge a demanda do mercado econômico, com 31,4%.

De acordo com Landgraf, as percepções refletem uma realidade parcial, mas apontam caminhos. “Não há dúvidas de que o país precisa investir mais recursos e esforços na área e que a cultura de inovação deve ser desenvolvida. Mas é preciso sobretudo estar atento à dinâmica do processo, que deve preconizar uma maior interação entre empresas e institutos de pesquisa. A população acerta quando diz que o mercado econômico em grande parte pauta a ciência, pois sabemos que uma inovação de fato se concretiza quando ela ganha o mercado. Institutos como o IPT estão preparados para auxiliar as empresas a desenvolver produtos inovadores, de maneira que as pesquisas não se restrinjam aos laboratórios, mas possam chegar à população. Não à toa a meta do IPT é atingir 2018 com 40% de sua receita advinda da inovação, o que representa nossa disposição e capacitação para ajudar o setor privado nesse rumo.”

Diante da sociedade, o reconhecimento da ciência ainda tem desafios pela frente. Quando indagados se poderiam citar alguma instituição que se dedique à pesquisa científica no país, 87% não foi capaz de se lembrar espontaneamente de um nome. Esses dados são também reflexo da limitação à informação: apenas 18% dos entrevistados lê sobre C&T na internet ou nas redes sociais com frequência, embora grande parte considere que os veículos, sobretudo a TV, noticiem de maneira satisfatória as descobertas científicas e tecnológicas. Os sites das instituições de pesquisa ganham destaque no quesito comunicação, pois são os meios mais utilizados na internet para se obter informações sobre o tema de acordo com 42,4% dos que responderam a enquete.

Quando o assunto são as áreas prioritárias que deveriam receber os investimentos, fica clara a preocupação da população com a aplicabilidade do conhecimento em benefícios que impactem diretamente o seu dia a dia. Mais de 50% acredita que o setor de medicamentos e tecnologias médicas deve receber maior atenção, enquanto 37,1% percebe a área de energias alternativas como prioritárias. A agricultura aparece em terceiro lugar, com 25,6%, seguida da preocupação com mudanças climáticas, que merece foco para 16,4% da população.

A conclusão dos realizadores da pesquisa indica os próximos passos para o setor de C&T. De acordo com Mariano Laplane, presidente do CGEE, “temos uma população que respeita, valoriza e tem interesse na ciência e tecnologia. Cabe ao governo, à comunidade científica, às instituições de pesquisa e ensino e à mídia realizar um esforço conjunto para que a sociedade realmente reconheça e se aproprie da ciência e tecnologia como recurso estratégico para o desenvolvimento sustentável do país”.

Confira a íntegra da pesquisa.