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  17.05.19

Do IPT para o mundo


Receptividade, infraestrutura e conhecimento: estagiária fala sobre experiência em laboratório do IPT


Três meses de treinamento intensivo resumem o estágio da estudante Natalia Akemi Kohori, quintanista do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu), no Laboratório de Biotecnologia Industrial do IPT. Manipulação biológica e atividades em biorreatores foram as principais atividades desenvolvidas desde a entrada de Natalia no mês de fevereiro e concluídas hoje, 17 de maio, quando ela parte para um novo estágio no Canadá.

Quarenta alunos do campus da Unesp em Botucatu visitaram em março de 2018 o IPT. Os graduandos e pós-graduandos dos cursos de Medicina e Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, acompanhados da professora responsável pelo Laboratório de Engenharia Celular do Hemocentro da universidade, Elenice Deffune, assistiram a uma apresentação da pesquisadora Maria Helena Ambrosio Zanin, do Núcleo de Bionanomanufatura, e conheceram seus laboratórios. Natalia era uma das componentes do grupo.

“Gostei muito da estrutura dos laboratórios; quando foi aberto o processo seletivo de estagiários, uma das vagas era em biotecnologia voltada ao cultivo de células animais, que havia sido o meu tema no TCC”,
Natalia ao lado de Patricia no laboratório: 84 estudantes se inscreveram para a vaga, uma das mais concorridas do concurso, e Natalia ficou em primeiro lugar na classificação final
 
conta Natalia, cujo trabalho de conclusão do curso foi uma análise do potencial de diferentes membranas para crescimento de células-tronco mesenquimais em conjunto com a startup BioSmart Nanotechnology, defendido em 2018. “Pensei: Nossa, é perfeito! E todo mundo me falou: É mesmo perfeito para você, tenta!”.

Oitenta e quatro estudantes se inscreveram para a vaga, uma das mais concorridas do concurso. Dezoito foram aprovados. Natalia ficou em primeiro lugar na classificação final.

“Minhas atividades durante o estágio foram desenvolvidas basicamente na sala de cultivo de células animais, fazendo a rotina de troca de meio de cultura e ensaios de repique de células e de citotoxicidade. E também me dediquei à área de fermentação, na qual estão instalados os biorreatores, quando fiz parte de um projeto com a Natura, incluindo desde a retirada das amostras até a montagem e limpeza dos equipamentos. Foram atividades diárias porque os ensaios aconteciam constantemente”, explica ela.

A carga horária das bolsas de estágio no IPT permite até 120 horas/mês de dedicação às atividades de pesquisa, ou seja, seis horas diárias, cinco dias por semana. Quando se trata de estágios obrigatórios para cursos que alternam teoria e prática, a legislação brasileira permite uma dedicação de oito horas diariamente por um período máximo de três meses, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais. Foi o caso de Natalia.

A infraestrutura laboratorial com os biorreatores foi um dos pontos que mais chamaram a atenção da estudante da Unesp durante os três meses: “Nunca havia tido acesso a eles; temos disciplinas no curso relacionadas aos equipamentos, mas não havia ainda manipulado nenhum. Lembro o dia da visita em que conhecemos as instalações dos laboratórios, mas não pudemos entrar na sala em que estão instalados. Consegui até realizar ensaios com eles por conta do estágio”.

CANADÁ, PRÓXIMA PARADA – Ao mesmo tempo em que se inscreveu para participar do concurso de estagiários no IPT, Natalia se candidatou a uma vaga de estágio oferecida no Canadá pelo Mitacs, organização sem fins lucrativos que desenvolve e fornece programas de pesquisa e treinamento no país, trabalhando com 60 universidades, cerca de quatro mil empresas e governos federais e provinciais. E foi escolhida tanto aqui quanto lá.

“Contei para a minha orientadora no laboratório, a pesquisadora Patricia Leo, que havia sido aprovada no processo seletivo para o Canadá. Estava em dúvida sobre a decisão a ser tomada: meu pai me aconselhou a continuar no IPT por mais um ano e alguns professores sugeriram tentar uma experiência internacional para enriquecer o meu currículo”, conta ela. A expectativa de Natalia está agora em realizar o Mestrado no Canadá, porque existe um programa vinculado à sua área de estudo: a bolsa tem validade de três meses, com todas as despesas pagas, e existe a possibilidade de prorrogação tanto do estágio quanto de extensão para a pós-graduação.

A orientadora Patricia ressalta que os três meses de estágio foram importantes não apenas para Natalia, mas também para o laboratório: “Ela veio complementar a equipe: foi fundamental a sua presença no ritmo de trabalho que o laboratório está passando. Foi dela a melhor nota na prova escrita e também se saiu muito bem na entrevista, demonstrando possuir um conhecimento que buscávamos. Vinda de um curso de engenharia de bioprocessos, ela pode ser facilmente absorvida em diversas plataformas devido à formação dada pela universidade”, afirma Patricia, ressaltando a importância do curso na formação de profissionais com olhar para manipulação biológica e para bioprocessos, em um pacote completo que reúne várias capacitações.

“Gostei muito do estágio: as pessoas foram muito receptivas, não somente do laboratório, mas de todas as áreas com que tive contato. Todos se esforçam bastante, são capacitados e receptivos aos estagiários – e eles têm pensamento crítico, porque pensam além dos limites das pesquisas”, completa Natalia. “Tanto os pesquisadores quanto os técnicos levavam em consideração as minhas ideias: os projetos não são escondidos dos estagiários, é um processo muito aberto. Foi a realização de um sonho e uma experiência incrível em apenas três meses: consegui reunir o conhecimento da universidade com a experiência aqui para construir a minha opinião”.