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  18.07.19

Combate ao cncer


Parceria da Unicamp com o IPT estuda tratamento para câncer cerebral pela nanotecnologia e ferramenta genética


Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que conta com a expertise do Laboratório de Biotecnologia Industrial do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para implantar sua aplicação, está buscando as bases de uma nova nanopartícula para o tratamento do glioblastoma, um tipo de câncer cerebral. Por meio da técnica conhecida por RNA de interferência, ou RNAi, a ideia é impedir a formação de proteínas necessárias às células tumorais para a sua proliferação ou mesmo sobrevivência, o que pode, na prática, diminuir ou evitar o crescimento de tumores.

O glioblastoma é o tipo mais comum de câncer cerebral, representando cerca de 25% dos tumores cerebrais primários,
Aglomerados de células de glioblastoma cultivados em laboratório do IPT
 
e recebe esse nome por ter início na glia, que são células não neuronais do sistema nervoso central que proporcionam suporte e nutrição aos neurônios. No laboratório do Núcleo de Bionanomanufatura do IPT, as células tumorais estão sendo cultivadas a partir de três métodos diferentes, que geram aglomerados celulares esféricos.

“Estamos desenvolvendo métodos para encontrar a estrutura 3D que seja mais próxima do tipo de tumor que estamos estudando”, explica Cyro von Zuben de Valega Negrão, aluno de doutorado pelo programa de Genética e Biologia Molecular do Instituto de Biologia da Unicamp, participante do programa Novos Talentos do IPT e responsável pela pesquisa. “Ao final dessa etapa, vamos escolher o método mais adequado a esse tipo de tumor e, então, testar quais genes podem ser ‘silenciados’ para impedir seu crescimento e desenvolvimento”.

O RNA, ou ácido ribonucléico, é uma molécula produzida a partir do DNA e o produto intermediário para que a informação genética seja fornecida pelo corpo como proteínas. A técnica aplicada por Negrão busca como princípio ativo do fármaco pequenos fragmentos de RNA (siRNA, do inglês small interfering RNA) capazes de degradarem a sequência completa dos RNAs dos genes alvos das células de glioblastoma. O princípio ativo seria encapsulado em nanopartículas, o que auxiliaria na condução do medicamento ao tumor.

“Degradando o RNA, podemos impedir a produção de proteínas fundamentais ao desenvolvimento da célula”, completa o pesquisador. “Nós temos como alvos principais hoje proteínas que permitem a proliferação e sobrevivência das células, além das que estimulam a angiogênese, que é capacidade de criar vasos - são eles que alimentam e fornecem oxigênio a essas estruturas. Coibindo a produção das proteínas, o tumor pode parar de crescer, ou mesmo diminuir, já que suas células não estarão recebendo nutrientes" esclarece Negrão.

Segundo o aluno, o estudo também engloba genes alvos que são responsáveis pela resistência de fármacos consolidados hoje no mercado, possibilitando, dessa forma, que esses possam recuperar a eficiência anterior.

O trabalho do Cyro é orientado pelo professor Henrique Marques-Souza, da Unicamp, que lidera o grupo de pesquisa BLaST - Brazilian Laboratory on Silencing Technologies. O laboratório desenvolve soluções para diversos setores produtivos do País, como o combate a pragas e a doenças relacionadas ao campo.

“A parceria com o IPT visa solucionarmos uma etapa muito importante do processo, que é a entrega das moléculas silenciadoras ao seu destino final. No projeto do Negrão, nanopartículas que possuem afinidade a células tumorais estão sendo priorizadas nos ensaios”, afirma Souza. “Entretanto, diferentes tecidos e organismos alvos requerem distintas características do agente carreador, e contar com a expertise, infraestrutura e acesso que temos no IPT é fundamental para levar inovações tecnológicas brasileiras às áreas da saúde humana, pecuária e fitossanidade.” Outras iniciativas ao redor do mundo também buscam sua aplicação na indústria farmacêutica, não só para o tratamento do câncer, como de outras doenças.

O estudo de Negrão, que se iniciou em 2018, é coorientado pela chefe do laboratório do IPT, Natália Neto Pereira Cerize, além de ter o apoio da pesquisadora Patrícia Leo, também do Instituto. O trabalho tem previsão de conclusão entre 2021 e 2022 e conta também com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Apoio ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (FIPT).