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  10.10.19

Presente e futuro da pesquisa florestal


Pesquisadoras do IPT apresentam trabalhos no primeiro congresso mundial da Iufro sediado na América Latina


Três pesquisadoras do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) apresentaram trabalhos no 25º Congresso Mundial da International Union of Forest Research Organizations, a Iufro, que foi realizado pela primeira vez na América Latina entre os dias 29 de setembro e cinco de outubro na cidade de Curitiba (PR). O evento foi organizado e coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e pela Embrapa para a troca de experiências e conhecimento em inovações tecnológicas, bem como para a atualização sobre os mais recentes resultados de pesquisa e as tendências da pesquisa florestal e agroflorestal no mundo.

O congresso é constituído por diversas atividades e as três pesquisadoras do IPT participaram de apresentações orais e sessões pôster.
Primeiro congresso mundial da Iufro na América Latina aconteceu entre 29 de setembro e 5 de outubro na cidade de Curitiba (PR). Crédito foto: La Imagem
 
A chefe da Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais, Ana Paula de Souza Silva, apresentou um trabalho sobre tecnologias de aproveitamento energético a partir da biomassa florestal, que tem como coautora a sua orientadora de doutorado, a professora Suani Teixeira Coelho do IEE/USP.

O estudo faz um levantamento de tecnologias de aproveitamento energético que podem ser empregadas a partir da biomassa florestal – por exemplo, espécies plantadas como eucalipto ou resíduos da cadeia de base florestal. As tecnologias estudadas são a peletização (compactação da biomassa, tendo pellets como produto), pirólise rápida (tendo como principal produto o bio-óleo) e gaseificação (gás como principal produto).

“Em relação ao meu trabalho, recebi alguns questionamentos sobre os estágios tecnológicos dos processos energéticos no Brasil, principalmente relacionados à escala comercial, à disponibilidade de incentivos econômicos para financiamento e às metas para geração de energia a partir de fontes renováveis”, afirma ela.

Caroline Almeida Souza, pesquisadora da seção, levou ao congresso um estudo sobre o potencial de sistemas florestais produtivos na otimização dos resultados das estratégias de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+). Cinco sistemas florestais produtivos de pequenos agricultores foram comparados quanto à redução de emissões de gases do efeito estufa e à geração de benefícios ambientais e socioeconômicos. A metodologia proposta, explica ela, pode ajudar os tomadores de decisão a projetar estratégias de REDD + considerando tanto atividades florestais de conservação quanto de produção.

“Os participantes ficaram interessados em saber se a metodologia poderia ser aplicada em outros locais e contextos, o que é possível a partir de adaptações, e também se a monocultura de óleo de palma proporcionava benefícios de renda para os produtores – em meu estudo, eu identifiquei que esta havia sido a maior contribuição desse sistema florestal produtivo, já que o índice relacionado à renda havia alcançado o melhor desempenho em comparação aos demais sistemas florestais produtivos”.

Um dos recursos do software Arbio do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis do IPT, usado para a gestão de florestas urbanas, é simular a ruptura da árvore em 12 diferentes velocidades de vento, indicando a probabilidade de queda. O trabalho apresentado no congresso pela pesquisadora Raquel Dias de Aguiar Moraes Amaral mostrou um estudo recente para futura inclusão na ferramenta: a equipe do laboratório realizou uma série de ensaios com galhos de eucalipto no túnel de vento do Instituto e, posteriormente, desenvolveu em parceria com estes profissionais uma metodologia genérica de modelagem numérica de copas de árvores, por meio de um modelo de interferência de esteiras para extrapolar os dados de um galho para a árvore inteira.

A temática do trabalho, explica a pesquisadora, é importante atualmente por conta de um cenário atual em que com o aumento da variabilidade climática, maior frequência e intensidade de tempestades e pressão de urbanização, mais árvores precisarão ser plantadas e monitoradas, pois afetam diretamente a saúde e o bem-estar das pessoas. “Profissionais da Colômbia e Portugal também apresentaram protocolos de risco, mas o do IPT possibilita simular a ação do vento nas árvores. Isso é um grande diferencial”, completa Raquel.

Segundo Ana Paula, os números do congresso mostram a sua importância: foram mais de 2.500 pessoas de cerca de 90 países: “Foi o momento de discutir a ciência florestal e a sua importância para o futuro do Brasil e do mundo. Pesquisadores renomados mostraram que as florestas devem estar na pauta de todos os países, pois é importante para a qualidade de vida nos ambientes urbanos e rurais, além de ser insumo para a bioeconomia mundial”, afirma ela. “Foi uma oportunidade única para discutir os temas de florestas para as pessoas, mudanças climáticas, biodiversidade e serviços ambientais”, completa Raquel.

A Iufro é uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, criada em 1892. É uma rede global de cooperação em ciências florestais que reúne mais de 15.000 cientistas em quase 700 organizações associadas, em 126 países.