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  13.11.19

Preservao histrica


IPT identifica substância tóxica em livros doados à FAU-USP, auxiliando funcionários na conservação do material


Equipe do laboratório do IPT analisa livros na FAU-USP
 
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificaram a presença de uma substância tóxica em amostras coletadas em uma coleção antiga de livros de arquitetura e engenharia, doados à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) pela família de um arquiteto alemão.

Os funcionários da biblioteca da FAU alegaram irritação nas vias respiratórias ao manipular a coleção de livros, e desconfiaram de contaminação. Acionaram então o Laboratório de Análises Químicas do IPT. A equipe visitou a biblioteca e realizou três ações: swabs (cotonetes estéreis) foram passados na superfície dos livros; um pó rosado encontrado entre as páginas de alguns exemplares foi coletado e trazido para o IPT; e amostras de ar obtidas dentro das caixas foram colhidas.

As análises feitas pelo IPT nos swabs e nas amostras de pó apontaram a presença de carbaril, um inseticida altamente tóxico, e do composto 1-naftol – que é a base química para produção do carbaril. Segundo o pesquisador João Paulo Lacerda, como o material analisado é muito antigo, não é possível afirmar com certeza se é um ou outro composto.

“O uso mais comum do carbaril é na agricultura. Por ser tóxico para os insetos, pode ter sido utilizado no passado também para a conservação dos livros. Algumas empresas ainda vendem esse composto como um tipo de inseticida de uso doméstico”, apontou.

Segundo o pesquisador, o contato com o carbaril produz efeitos adversos em humanos - na condição em que foi encontrado na FAU, os sintomas mais prováveis são irritação na pele e vias respiratórias, além de dores de cabeça.

“A correta identificação do composto permitirá os devidos cuidados quanto ao uso de EPIs durante a manipulação e a higienização do material. Além disso, tranquiliza os funcionários quanto ao fato de não ser um composto cancerígeno”, finaliza Lacerda.