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  01.05.20

Mscaras de mergulho no combate ao Covid-19


IPT faz ensaios para avaliar uso de máscaras em pacientes com sintomas menos graves e diminuir demanda por respiradores mecânicos


Para auxiliar médicos e hospitais em situações de emergências, diminuindo a demanda por ventiladores mecânicos destinados ao tratamento de pacientes diagnosticados com o Covid-19, o Laboratório de Vazão do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está colaborando em uma iniciativa para uso de máscaras de mergulho que seriam adaptadas para encaixe diretamente nos sistemas que fornecem ar e misturas ar-oxigênio aos pacientes. A ideia é de um grupo de voluntários, apoiados por empresas e instituições, denominado Motirõ, que se reuniram para encontrar soluções e recursos a fim de lidar com a crise provocada pelo Covid-19.

A ideia foi proposta inicialmente em países como Itália e Espanha como uma alternativa mais segura para terapias não invasivas como o CPAP (de Continuous Positive Airway Pressure, ou seja, pressão positiva contínua nas vias aéreas).
Ensaios de estanqueidade e escoamento de ar foram feitos no Laboratório de Vazão do IPT
 
A técnica invasiva de inserir um tubo diretamente na garganta da pessoa sedada - ou seja, a intubação – seria então reservada para os casos mais graves. A máscara pode ser uma alternativa útil nos casos em que respiradores, ou mesmo as equipes com treinamento necessário para intubar, não estão disponíveis.

Entre as vantagens apontadas pelos profissionais que lançaram a ideia do uso das máscaras de mergulho, estão a possibilidade de o paciente receber o ar enriquecido com oxigênio, o equipamento trabalhar com ventilação por pressão positiva (mais adequada para abrir os brônquios) e a maior parte do ar expelido pelo paciente passar através de um filtro, diminuindo a dispersão de contaminações por aerossóis no ambiente.

Para utilizar as máscaras em pacientes, no entanto, é preciso uma série de peças para encaixe e adaptação à sua nova função, a fim de que a entrada de ar possa receber a mistura de ar-oxigênio e a saída seja realizada passando por um filtro. As máscaras de mergulho que foram submetidas aos testes receberam válvulas produzidas em impressoras 3D pelo Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, para permitir que o equipamento seja acoplado aos aparelhos de oxigênio.

Uma série de máscaras de mergulho e conexões de adaptação foi submetida aos ensaios no IPT para avaliar a viabilidade de sua utilização. As amostras são parte de uma doação feita pela loja de artigos esportivos Decathlon para a ONG Expedicionários da Saúde, ambas apoiadoras do grupo Motirõ. Os ensaios de estanqueidade e de escoamento de ar (pressurização) foram realizados no Laboratório de Vazão nos dias 9, 13, 14 e 15 de abril, e o relatório com a análise dos dados foi entregue esta semana.