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  28.05.21

Praia Grande no tnel de vento


IPT realiza ensaios em edifício esbelto de 144 metros, um dos prédios mais altos a ser construído na Baixada Santista


Uma série de ensaios de forças estáticas equivalentes, de conforto dinâmico dos ocupantes dos pavimentos mais elevados e, finalmente, das pressões na fachada da edificação de um futuro empreendimento residencial localizado na cidade de Praia Grande (SP) foi realizada no túnel de vento de camada limite atmosférica do IPT. O empreendimento de 144 metros da Construtora Jr & Garcia pode ser considerado um dos mais altos da Baixada Santista.

Ensaios realizados em edificações são comumente executados no túnel de vento do IPT. Neste caso, o diferencial do conjunto estava na relação comprimento/largura da torre ser muito grande – enquanto sua altura atinge 144 metros, a largura fica em torno dos 15 metros, ou seja, a relação entre as duas variáveis chega a quase 10 vezes.
Pesquisadores simularam as características do vento do bairro no qual o edifício será construído para a execução dos ensaios
 
Em outras palavras, um projeto de 'edifício esbelto', que é uma das novas tendências da engenharia civil. Este empreendimento é um caso especial em que os esforços horizontais são importantes para o dimensionamento da estrutura e chegam a ser até mais relevantes que os esforços gravitacionais, tais como aqueles provenientes do peso próprio.

Para a execução dos ensaios, os pesquisadores simularam as características do vento do bairro no qual o edifício será construído. Os testes foram referenciados em função da norma NBR 6123, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estipula as condições exigíveis na consideração das forças devidas à ação estática e dinâmica do vento, para efeitos de cálculo de edificações. A rugosidade do terreno é classificada em cinco categorias pela norma.

O vento foi simulado de acordo com as características dos terrenos em torno do edifício: para esse ensaio, havia o vento vindo do mar entre as direções Sudeste, Sul e Sudoeste, pois o empreendimento será construído na orla. Por este motivo, foi simulado um vento para terrenos da Categoria II (terrenos abertos em nível ou aproximadamente em nível, com poucos obstáculos isolados, tais como árvores e edificações baixas), mas o trabalho não parou por aí: para o vento incidindo para Leste, Nordeste, Norte, Noroeste e Oeste, foram modelados os edifícios vizinhos, explica o pesquisador Gilder Nader.

Por conta desta diferença nas direções do vento, a rugosidade do terreno foi também classificada na Categoria IV (Terrenos cobertos por obstáculos numerosos e pouco espaçados, em zona florestal, industrial ou urbanizada), seguindo a classificação estabelecida pela norma NBR 6123. 

Com a confirmação dos resultados da simulação, os pesquisadores partiram para a montagem da maquete da torre, em escala 1:200, com modelagem da vizinhança em um raio de 200 metros, na qual foram instaladas 320 tomadas de pressão no total. A instrumentação na maquete foi feita nas áreas em que serão instaladas janelas de vidro, nas fachadas e nas quinas dos edifícios, permitindo uma medição mais precisa das cargas de vento, a fim de dar aos engenheiros projetistas uma maior confiabilidade para o dimensionamento dos revestimentos, das alvenarias de vedação, das esquadrias e, sobretudo, da estrutura e das fundações.

EFICIÊNCIA E ECONOMIA - Para esse projeto também foi realizada a análise dinâmica do edifício sob ação do vento, pois é recomendável realizar esses estudos em edifícios esbeltos. Por meio das análises dinâmicas, são verificadas as condições de conforto dinâmico dos moradores dos pavimentos mais elevados - ou seja, elas são feitas para verificar se a vibração do edifício irá causar desconforto aos ocupantes - e também são obtidas as forças estáticas equivalentes que, devido ao comportamento dinâmico da estrutura, resultam em cargas maiores que as puramente estáticas, determinadas em ensaios convencionais.

Segundo a autora do projeto arquitetônico da Construtora Jr & Garcia, Marjory Tunisi Araia, a decisão pela realização dos ensaios no túnel de vento foi tomada em função de as dimensões do edifício serem diversas de outros comumente executados pela empresa - além dos testes no IPT, uma análise climática será feita por um escritório de Londres (Inglaterra) para melhores resultados na estrutura do edifício.

“Ensaios em túnel de vento permitem determinar com exatidão a distribuição de pressões nas fachadas dos edifícios, com toda a sua variação ao longo da fachada, e dos esforços estáticos e dos esforços estáticos equivalentes”, resume Nader. “Os ensaios vão fornecer à construtora e ao projetista os resultados otimizados da ação do vento nas estruturas. Unindo esse ensaio à análise climática da cidade, pode-se obter um projeto eficiente e com grande economia”.