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  29.03.22

Sade do futuro


IPT participará de linha de pesquisa em xenotransplante que será realizada nas futuras instalações de núcleo de tecnologias avançadas   


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a startup XenoBrasil (Desenvolvimento e Pesquisas sobre Xenotransplante no Brasil Ltda.) anunciaram na quinta-feira, 24 de março, em coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, a parceria para a viabilização do Núcleo de Tecnologias Avançadas para Bem-estar e Saúde Aplicados às Ciências da Vida, o Nutabes.

O núcleo tem como meta o desenvolvimento de projetos que visam à melhoria da qualidade de vida e o bem-estar da sociedade a partir de tecnologias inovadoras tendo como base a interconexão do tripé Saúde Humana, Animal e Ambiental.

Uma das primeiras pesquisas que o núcleo abrigará será a segunda etapa do projeto 'Sistematização do método de xenotransplante no Brasil', que terá como foco a viabilização clínica da técnica. O projeto é uma parceria firmada entre a farmacêutica EMS S.A., a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação da Faculdade de Medicina (FFM) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). 

O xenotransplante é o transplante de um órgão, tecido ou células de um animal a outro de espécie distinta. Desde 2017, o Centro de Estudos do Genoma Humano e Células Tronco, localizado no Instituto de Biociências da USP, e o Instituto do Coração (InCor/FM/USP) estão trabalhando na geração de embriões suínos geneticamente modificados visando aos transplantes interespécies, o que corresponde à primeira fase do projeto.

Os pesquisadores da USP (que compõem a XenoBrasil juntamente com a EMS), conseguiram alcançar resultados que os colocaram em posição pioneira para a geração dos primeiros leitões com potencial para xenotransplante na América Latina. 

INSTALAÇÕES - A construção do prédio em que o Nutabes será instalado será viabilizada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo com recursos da ordem de R$ 16 milhões. O núcleo será o primeiro do tipo na América Latina para a realização da linha de pesquisas em saúde única, com início das construções a partir do segundo semestre de 2022.

O núcleo irá abrigar uma pig facility, ou seja, um biotério de suínos voltado para a produção em série dos órgãos que serão destinados aos transplantes em humanos obedecendo a rigorosas normas de biossegurança exigidas para aplicação clínica com garantia total de controle sobre potenciais transmissões de agentes infecciosos entre os suínos e os humanos.

Por meio do Nutabes, o IPT poderá alavancar as competências existentes e assumir um papel de articulador de empresas, instituições de ciência e tecnologia, agências de fomento e entidades de governo para a realização de projetos. 

FILA DE TRANSPLANTES - A relevância do projeto consiste em ajudar a resolver questões como o aumento da oferta de órgãos (rins, em um primeiro momento), diminuição da fila de transplantes e redução de custos relacionados às doenças renais.

Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), um total de 29 mil pacientes estavam em lista de espera para o transplante renal em 2020, mas apenas 7,4 mil procedimentos foram realizados. Pacientes que aguardam o transplante enfrentam o tratamento (diálise) que, por sua vez, acarreta morbidade e custos elevados ao sistema de saúde: segundo o DataSUS, 133 mil pacientes realizavam tratamento de hemodiálise em 2019, gerando um custo anual superior a R$ 2,3 bilhões ao SUS.