Pgina inicial do IPT   >   Publicaes   >   Publicaes tcnicas   >  Artigos Tcnicos

compartilhe

Por que as rvores caem... (Nota Tcnica)


Raquel Dias de Aguiar Moraes Amaral; Reinaldo Arajo de Lima


Conheça alguns dos principais fatores que contribuem para a queda de árvores

A queda de árvores ou de seus galhos é um problema crítico nas cidades ao redor do mundo. Especialmente naquelas em que a arborização não foi planejada. A falta de uma gestão adequada e efetiva torna comum nos jornais manchetes sobre quedas de árvores nas cidades, com maior evidência no período de verão quando ocorrem chuvas e ventos fortes.

Alguns dos principais fatores associados à queda de árvore podem ser divididos em três grupos:

Primeiro, os fatores intrínsecos, que estão relacionados ao ser vivo árvore. Entre eles, a arquitetura da copa; as propriedades físicas e mecânicas do lenho; a resistência ou suscetibilidade natural do tronco à biodeterioração; as tensões de crescimento, que podem desenvolver rachaduras em seu tronco; o peso próprio, que aumenta significativamente com o crescimento da área de copa ou por maior retenção de água das chuvas; além do próprio tamanho da árvore (medidas dendrométricas).

Segundo, os fatores extrínsecos, que se relacionam ao meio externo. Por exemplo, o tipo de solo e suas propriedades mecânicas, seu estado de compactação ou de umidade excessiva; os ventos, principal esforço solicitante relacionado à queda de árvore; patógenos e pragas que afetam a saúde da árvore levando ao seu declínio ou morte; organismos que se alimentam do lenho (xilófagos), tais como fungos apodrecedores, cupins e brocas de madeira; e as condições de entorno, que podem restringir o crescimento do sistema radicular, tronco e copa das árvores, submetendo-as a uma condição de suscetibilidade à ação do vento como as instalações subterrâneas de água, gás e esgoto, e a rede de energia elétrica aérea.

Terceiro, a ação antrópica, que atinge a árvore de modo direto ou indireto. Como no caso do plantio de espécies em locais inadequados; falta de conhecimento para o preparo da cova e plantio; podas inadequadas que descaracterizam e desequilibram a árvore; descaso na seleção de mudas de qualidade; danos causadores de feridas no tronco e/ou galhos; caiação; fixação de objetos; e preenchimento de cavidades com material inapropriado.

Dessa forma, na avaliação das árvores, há necessidade da aplicação de critérios técnicos para o correto diagnóstico do risco de queda e garantia da integridade das pessoas, veículos e edificações.

E por que não deveriam cair...

Manter as árvores saudáveis nas florestas urbanas é uma medida amigável para a saúde das pessoas que vivem nas cidades. É mais qualidade de vida. Por exemplo, o banho de floresta (forest bathing, do japonês shinrin-yoku) é uma prática integrativa e complementar reconhecida no Japão desde os anos 80. Traz benefícios, como a redução do estresse e a melhora da saúde física e mental.

“O ser humano sempre esteve envolvido com a natureza, e os transtornos das chamadas doenças modernas, como infecções e problemas respiratórios, cardíacos, cânceres, alergias e doenças psicológicas, estão relacionados a desconexão do homem com o meio ambiente” (Shin, 2020).

Se considerarmos, de acordo com a ONU (2021), que 70% da população mundial viverá nas cidades até 2050, é urgente a necessidade da reconexão. A floresta urbana proporciona qualidade de vida e agrega muitas vantagens, seja pelo embelezamento paisagístico ou contemplação, como pela melhoria da qualidade do ar, do conforto térmico, da promoção e conservação da biodiversidade e da proteção das áreas de captação de água (Amato-Lourenço et al. 2016).

O “banho na floresta” ou “absorver a atmosfera da floresta” promove, além da saúde física e mental e redução do estresse, o aumento da atividade e do número de células “natural killers” (NK), importantes na vigilância imunológica, além dos níveis intracelulares de proteínas anticâncer (Li, 2020).

A necessidade do ser humano estar com a natureza é tão importante que médicos de diversos países já prescrevem encontros em parques, sua duração e frequência (Salbitano, 2020).

Referência:

AMARAL, Raquel Dias de Aguiar Moraes; LIMA, Reinaldo Araújo de. Florestas urbanas. São Paulo, 2022. (Nota Técnica, 02)

Acesso ao texto em PDF:
https://escriba.ipt.br/pdf/177710.pdf

 
Publicações técnicas