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  29.06.22

Amaznia nanotecnolgica

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Projeto do IPT e da Original Trade traz nanoencapsulação de matérias-primas amazônicas para cosméticos de nova marca


Desenvolver um processo de nanoencapsulação de ingredientes ativos empregando matérias-primas amazônicas para posterior incorporação das partículas na produção de cosméticos: este foi o objetivo do projeto do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em parceria com a Original Trade, uma empresa de consultoria e novos negócios, que trouxe como resultado o nascimento da Darvore Cosméticos da Amazônia, que está lançando no mercado dois boosters (loções faciais) com formulações patenteadas de alto desempenho.
 
O projeto se concentrou em desenvolver fórmulas inovadoras atendendo aos seguintes critérios: a utilização de 100% de bioativos com origem em florestas nativas manejadas da Amazônia, e o emprego da técnica de nanoencapsulação, com tecnologia de ponta e alta eficácia comprovada dos cosméticos.

A tecnologia de nanoencapsulação permite a preparação de partículas funcionais, constituídas por um material de suporte (agente encapsulante) e um composto ativo distribuído em seu núcleo. Criada pelo economista João Batista Tezza Neto com a intenção de possibilitar o uso em larga escala de ingredientes prontos para o uso em formulações cosméticas a partir de matérias-primas regionais da Amazônia, a Original Trade buscou o IPT em 2017 a fim de desenvolver um processo de nanoencapsulação empregando os óleos de copaíba, cumaru e de andiroba e, como matrizes, as ceras de cupuaçu e de tucumã para o revestimento das partículas.
 
Parte do financiamento do projeto de pesquisa de R$ 400 mil coube à Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que havia formalizado em 2017 um contrato com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para subsidiar projetos de inovação industrial –
Maria Helena Ambrosio Zanin: combinações específicas destes óleos e ceras que foram realizados pelo laboratório do IPT podem ser consideradas as primeiras no Brasil
 
no contrato com a Original Trade, o contrato foi feito na modalidade Desenvolvimento Tecnológico, que é voltado a pesquisas de parceria entre microempresas, empresas de pequeno porte, microempreendedores individuais ou startups e uma unidade Embrapii, com aporte financeiro do Sebrae de até 70% da contrapartida da empresa no projeto.

DESENVOLVIMENTO DE PROCESSOS – “A Original Trade selecionou as matérias-primas para o estudo, tanto os óleos quanto as ceras, que são os agentes encapsulantes; a seguir, caracterizamos e avaliamos todas as matérias primas e desenvolvemos os processos de encapsulação para obter e entregar os óleos de copaíba e cumaru encapsulados e protegidos”, resume Maria Helena Ambrosio Zanin, pesquisadora do Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas do IPT e coordenadora do projeto. 
 
A tecnologia de micro ou nanoencapsulação permite proteger os ativos incorporados nas partículas e também, dependendo da construção dos encapsulados, controlar as propriedades específicas do produto, promovendo uma liberação moderada dos óleos: existem atualmente empresas buscando a encapsulação de tais matérias-primas, explica a pesquisadora, mas as combinações específicas destes óleos e ceras que foram realizados pelo laboratório do IPT podem ser consideradas as primeiras no Brasil.
 
“Foram escolhidos óleos e manteigas por meio de uma avaliação de suas propriedades físico-químicas, assim como a facilidade de sua obtenção em níveis altos de qualidade.
Processo de nanoencapsulação emprega os óleos de copaíba, cumaru e de andiroba e, como matrizes, as ceras de cupuaçu e de tucumã para o revestimento das partículas
 
O projeto buscou utilizar matérias primas que garantissem funcionalidades diferenciadas de hidratação associada ao controle de oleosidade”, explica Tezza Neto. 

Um grande desafio do projeto, iniciado em janeiro de 2018 e concluído em julho de 2019, foi desenvolver a estabilidade dos produtos – em outras palavras, o objetivo era garantir que não ocorreria a separação entre os óleos e as ceras.

“A combinação de matérias-primas naturais é difícil de ser trabalhada porque não existe muita reprodutibilidade do lote, ao contrário de matérias-primas sintéticas”, afirma a pesquisadora. “Esse tipo de matéria-prima depende do volume de água ao qual a planta foi submetida, das condições climáticas e do tipo de solo em que foram plantadas, ao contrário dos sintéticos, em que existe um controle do processo e fica mais fácil alcançar uma maior reprodutibilidade nas propriedades da matéria prima”.

Os produtos foram testados dermatologicamente, por uma empresa externa, com testes de desempenho, de segurança, de hidratação e de sebumetria – este último tem como objetivo mensurar a eficácia dos cosméticos através de um instrumento que avalia a secreção de sebo da pele a partir de condições controladas na aplicação de produto em quantidades padronizadas. É um tipo de avaliação para produtos destinados ao tratamento da acne (sebocontrole da pele) e efeito mate de maquiagens (diminuição de brilho).
 
PATENTE E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA – Uma patente foi depositada junto ao INPI e a transferência de know-how foi realizada para a Yosen, que é uma startup brasileira especializada em sistemas de encapsulamento de ativos utilizando a nanotecnologia, com sede na cidade de Ribeirão Preto (SP). O passo seguinte, diz Tezza Neto, foi a contratação da Yosen pela Original Trade para a produção das formulações desenvolvidas na pesquisa, a fim de iniciar a oferta ao mercado.

“Foi a primeira vez que a Original Trade realizou um projeto de P&D com uma ICT. Avaliamos positivamente os resultados alcançados: o que se encontra hoje no mercado são produtos que possuem ingredientes nanoencapsulados e não uma formulação integralmente nano com bioativos florestais. Patenteamos formulações naturais alinhadas com as tendências de consumo no setor”, afirma Tezza Neto. 
 
Os cosméticos naturais são uma tendência de consumo que ganhou destaque nos últimos anos e movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano no Brasil, de acordo com a consultoria Grand View Research, que prevê ainda um mercado global com a movimentação de USD 26,16 bilhões até 2030.

Para Andrea Waichman, doutora em biologia tropical e sócia da Darvore, a criação e o lançamento dos cosméticos nanoformulados mostra a possibilidade real de desenvolvimento da bioeconomia da região, investindo em pesquisa, uso de tecnologia de ponta no aproveitamento da biodiversidade amazônica e agregação de valor aos produtos da floresta a fim de promover a sua conservação: “Nossa preocupação é não apenas levar uma nova experiência aos consumidores, mas ter o cuidado com nossa floresta, as comunidades e a sustentabilidade em todo o processo de produção dos cosméticos”.
 

 
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